Hachetetepé. Revista científica de Educación y Comunicación
nº21, 98-100, 2020
e-ISSN:2172-7910
Doi:10.25267/Hachetetepe.2020.i21.10
Universidad de Cádiz 98
RESENHA. BIOGRAFIA DE MULHERES
REVIEW. BIOGRAFIA DE MULHERES
RESEÑA. BIOGRAFIA DE MULHERES
Ana Carolina Braga de Sousa
Universidade Estadual do Ceará, Brasil
https://orcid.org/0000-0001-6959-5493
carolbraga30@yahoo.com.br
Márcia Cristiane Ferreira Mendes
Universidade Estadual do Ceará, Brasil
https://orcid.org/0000-0002-6219-7182
marciacfmendes@gmail.com
Vitória Chérida Costa Freire
Universidade Estadual do Ceará, Brasil
http://orcid.org/0000-0002-8029-5907
vitoriacherida91@gmail.com
Recebido: 13/08/2020 Revisado: 20/08/2020 Aceito: 20/08/2020 Publicado: 01 /11 /2020
Autores: Lia Machado Fiauza Fialho,
José Gerardo Vasconcelos y José Rogério Santana (Orgs.)
Editora: EdUECE, Brasil
Ano: 2015
Como cita esta resenha: Sousa, A. C. B., Ferreira, M.C. y Costa, V.C. (2020). Resenha.
Biografia de Mulheres. Hachetetepé. Revista científica en Educación y Comunicación, (21), 98-
100. https://doi.org/10.25267/Hachetetepe.2020.i21.10
O livro apresenta contextos de mulheres que tiveram suas presenças marcadas por
lutas e resistências registradas em biografias, configurando um desafio investigativo
renovado, sob diversas perspectivas teóricas e metodológicas, possibilitando a
Hachetetepé. Revista científica de Educación y Comunicación
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e-ISSN:2172-7910
Doi:10.25267/Hachetetepe.2020.i21.10
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visibilidade dessas mulheres que estavam no silêncio histórico. O método biográfico
permite compreender os caminhos indissociáveis das mulheres como sujeitos ativos na
sociedade, contribuindo assim com um novo olhar sobre o gênero feminino e suas
vinculações aos diversos cenários da história brasileira. O livro conta o percurso de
mulheres tomando como ponto de análise suas relações com a instrução feminina, o
pioneirismo do movimento feminista, as trajetórias educacionais, bem como as relações
de nero e a biografia como método históriográfico. A obra expõe relatos e trajetórias
que envolvem a especificidade das biografadas no imbricamento com seus contextos
histórico-sociais, exemplificados na relação com a capoeira e sua cultura (p. 72), na morte
de dois jovens na conjuntura da sociedade patriarcal e machista do estado paraibano do
século XX (p. 87), na narrativa sobre a ciência e a política representada através da
biografia de uma feminista (p. 109), nas experiências formativas de uma educadora
freiriana (p. 123), ou ainda na memória de uma militante política no contexto histórico
pós-golpe militar de 1964 (p. 138).
Percebe-se na obra as referências de como os autores fizeram o levantamento e o
tratamento das fontes, sobretudo das fontes orais, do uso de livros e outros registros de
memórias. Relaciona-se através do método biográfico a dialética entre o contexto social
e a atuação de aproximação ou distanciamento do indivíduo em determinado contexto. A
biografias são pertinentes para tratar de temas como cultura, personalidade, gerações e
gênero.
O primeiro capítulo retrata as contribuições de Ana de Barandas em estudos sobre
gênero, divórcio e educação feminina, e em inserções nas narrativas históricas da guerra
de farrapos. A pesquisa utiliza a metodologia da história oral complementada com outras
fontes documentais e imagéticas, artigos científicos e livros. Propõe compreender a
relação entre a biografada e o ensino feminino, a formação de professores e a importância
da educadora Barandas como precursora de ideias feministas. Além disso, o capítulo
ressalta a participação significativa da biografada para a história da educação, mediante
análise das nuances e possibilidades da educação feminina no Rio Grande do Sul do
século XIX.
O segundo capítulo desvela a biografia de Piedade Medeiros e o elo com a história
da educação na Paraíba. Sua contribuição se deu na publicação de livros didáticos sobre
a cultura regional. A abordagem teórico-metodológica utilizada pelos autores se ancoram
na nova história cultural e na história oral, que auxiliam na organização das narrativas da
biografada, Piedade Medeiros. Define o percurso metodológico da história oral
referenciado em Delgado (2006) e a dimensão das ausências de pesquisas sobre mulheres
a partir do olhar de Barcelar (2006), que ressalta a intencionalidade em negar e excluir o
estudo sobre mulheres propositadamente, para atender ao interesse hegemônico
masculino.
No terceiro capítulo, o autor Rodrigues desenvolve uma associação entre biografia
e gênero. Parte da proposição de que a biografia como gênero histórico e literário foi
negligenciada pela academia, porém, que o grande interesse do público prestigiou a
produção desse gênero. O autor apresenta o sentido metonímico da biografia, onde busca-
se conhecer o todo (a sociedade) pelas partes (os individuos com suas singularidades e
diferentes atuações). Divide os tipos de biografias entre personalistas, contextualizadas
historicamente ou das elites (p.58). Infere que a biografia é uma metodologia com
potencialidade de diálogo entre o individual e o social (p. 61) e que, com os estudos
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biográficos têm-se a compreensão da sociedade, da cultura e da ação social dos sujeitos
em interação com as estruturas sociais.
O quarto capítulo trata da história da capoeira no Ceará, a partir da trajetória de
vida da educadora Lúcia Vanda Rodrigues e o reconhecimento da sua luta também na
área educacional. Propõe a compreensão do estudo biográfico como possibilidade para a
escrita histórica. O quinto capítulo analisa a perspectiva teórico-metodológica da micro-
história a partir do crime que levou a morte dos jovens Sady e Ágaba na Paraíba em 1923.
Através do prisma do autor Boris Fausto (2009) e suas percepções sobre a escala, a
concentração desta em pessoas comuns demonstra a possibilidade de extrair de fatos
corriqueiros uma dimensão socio-cultural relevante. Nesta perspectiva, a autora
interrelaciona os costumes desfavoráveis a presença da mulher na vida pública, a
influência da igreja católica na educação, o contexto de casamentos arranjados e o
desenlace trágico da história narrada.
O sexto capítulo disserta sobre a trajetória política da feminista Bertha Lutz e sua
atuação no campo educacional e na produção científica. Expõe o ideal da biografada em
construir uma nova função social femenina, através da instrução, calcada na ciência e na
educação. Destaca as lutas por direito ao voto e a defesa da inclusão da mulher no
mercado de trabalho, além de suas proposições no campo científico, museológico e
participação na política.
O capítulo sete analisa as disputas de poder na formação de professores da
Educação de Jovens e Adultos no vale do Jaguaribe-CE no contexto histórico do golpe
de 1964, a partir da transição e do confronto de projetos de alfabetização como o método
Paulo Freire e o projeto MOBRAL. A desobediência narrada pela biografada,
contrariando as regras vigentes para “desenvolver a criticidade dos alunos” (p. 129)
aponta o desejo de revolução e resistência dos grupos ameaçados pelo contexto ditatorial
em manter a perspectiva freiriana de ensino.
O capítulo oito encerra a obra analisando as memórias de uma militante de
esquerda no contexto pós 1964, a partir da concepção que o autor Benjamin (1994)
denomina “história dos vencidos”, que segundo ele possibilitaria aos excluídos da história
a conquista da palavra (p.138).
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Fialho, L. M. F., Vasconcelos, J.G. y Santana, J. R. (2015). Biografia de mulheres.
Brasil: EdUECE.