in Hachetetepé. Revista científica de educación y comunicación
Tecnologia e ensino de pronúncia: análise do software ELSA Speak
Resumo
Os benefícios da tecnologia atrelados aos aplicativos educacionais de ensino de idiomas estão sendo cada vez mais usados e têm demonstrado ser uma ferramenta pedagógica eficiente para a aprendizagem de línguas. Entendendo a relevância do ensino de pronúncia para uma aprendizagem mais completa e eficiente, o presente artigo tem como objetivo geral analisar as propostas de atividades de pronúncia desenvolvidas pelo software ELSA Speak de língua inglesa. Já como objetivos específicos se pretende: a) descrever a tipologia das atividades de pronúncia propostas pelo software e; b) refletir sobre o ensino de pronúncia, com suporte tecnológico, nas aulas de língua inglesa. Para tanto, recorre-se aos autores Moran (2000) e Vieira (2018) que tratam da utilização das ferramentas tecnológicas na aprendizagem e estratégias de ensino, e Mesquita Neto (2021) e Cypriano (2022) sobre ensino de pronúncia. A metodologia utilizada é considerada qualitativa e descritiva. O corpus do trabalho está composto pelas atividades de pronúncia do software ELSA Speak. Conclui-se que, apesar da identificação de algumas fragilidades, há efeitos positivos na utilização das atividades idealizadas pelo software ELSA Speak e que o aplicativo pode contribuir com a aprendizagem de pronúncia da língua estudada.
Texto completo
1. INTRODUÇÃO
São inúmeros os benefícios que o uso da tecnologia pode nos proporcionar e, considerando os diversos dispositivos e suas respectivas funções, chega a ser difícil acompanhar tamanha evolução. Esse avanço tecnológico fica cada vez mais evidente na sociedade, o que nos leva a considerá-lo uma importante ferramenta no processo de ensino e aprendizagem.
Quando pensamos na língua inglesa, não podemos deixar de comentar que o ensino de pronúncia se faz necessário, não apenas para o uso com falantes nativos desta língua estrangeira, mas para a comunicação com falantes diversos, visto que o inglês é visto como língua franca (Seidlhofer, 2005). Dessa forma, a possibilidade de prática e uso da língua são evidentes até mesmo sem sair de casa, através do uso da tecnologia.
Um dos maiores desafios no ensino de pronúncia de língua inglesa é deixar de lado atividades ultrapassadas de memorização ou com textos desatualizados, que muitas vezes abordam apenas o método de repetição e não estimulam a comunicação dos estudantes. Barreto e Alves (2012) apontam que diversos livros didáticos tendem a sugerir atividades mecânicas que abordam exercícios entediantes e que não possuem um direcionamento para a construção da aprendizagem. Os recursos tecnológicos, por sua vez, podem fazer parte dos métodos utilizados pelo professor dentro e fora de sala de aula. Para Guerra e Almeida (2016), os instrumentos digitais fazem parte do cotidiano dos estudantes. A utilização de recursos que fazem parte do contexto estudantil deve ser amplamente estimulada, essas ferramentas não devem ser excluídas da sala de aula.
O livro didático é ainda o recurso mais presente nas aulas e o mais usado pelos professores. No entanto, ele nem sempre traz atividades que promovam o desenvolvimento da pronúncia e, por não possuir um material adequado para sua prática, infelizmente, não é contemplada como deveria nos estudos. Barreto e Alves (2012) nos informam que o ensino de pronúncia deve ser dado com base em uma explicitação dos sons da língua de modo integrado a um objetivo e a um contexto significativo e complementam informando que “em termos práticos, a realidade é um tanto diferente” (Barreto e Alves, 2012, p. 234). Farias (2014) ainda explica que o ensino de pronúncia deve ser realizado tomando como base a percepção, a reflexão e a prática do som que se quer aprender. Mesquita Neto (2021) complementa informando que corrigir a pronúncia do aluno não é ensiná-la, mas sim executar uma ação de correção fonética.
Dessa forma, torna-se cada vez mais necessário procurar recursos tecnológicos e atualizações do repertório didático que façam sentido para o estudante e que promovam uma aprendizagem mais eficaz em todos os seus aspectos, principalmente no que se refere à pronúncia, visto que essa habilidade é deixada de lado nas aulas de línguas e substituída por atividades de cunho gramatical ou lexical. Não podemos deixar de lembrar que o que realmente coloca em contato, um falante com o outro, é a oralidade. Iruela (2007, p. 3) afirma que a “pronúncia é o suporte da transmissão da informação oral e, por tanto, é o elemento que condiciona a inteligibilidade da mensagem”. Portanto, cometer pequenos desvios gramaticais não impossibilitará a comunicação, diferentemente de um desvio de cunho fônico, como a troca da curva melódica de uma interrogativa ou sons como [tʃ] em cheap ou [ʃ] em sheep, que podem interferir na inteligibilidade e compreensibilidade.
Moran (2000) menciona que a tecnologia facilita a comunicação com os colegas de sala e com o professor, promovendo o processo de ensino e aprendizagem. Também desenvolve a aprendizagem cooperativa e a pesquisa em grupo. A interação entre todos os participantes da aula colabora substancialmente com a ampliação e melhoria da aprendizagem.
Assim, temos como questão problema: Como o software ELSA Speak aborda o ensino de pronúncia? Dessa forma, hipotetizamos que, como nos livros didáticos e outros aplicativos, o software foca no ensino de léxico e aborda a pronúncia de forma mecânica e com foco nos elementos segmentais. Tendo em vista o grande potencial que possui os recursos tecnológicos, o presente trabalho tem como objetivo geral analisar atividades de pronúncia do software ELSA Speak de língua inglesa. Além disso, como objetivos específicos, trazemos os seguintes: a) descrever a tipologia das atividades de pronúncia propostas pelo software e; b) refletir sobre o ensino de pronúncia, com suporte tecnológico, nas aulas de língua inglesa.
Para alcançar tais objetivos pontuamos as características do software ELSA Speak, enfocando-nos nas atividades de pronúncia e verificando se suas características dialogam com o que autores como: Barreto e Alves (2012), Mesquita Neto (2021) e Cypriano (2022), trazem sobre o ensino de pronúncia.
Salientamos ainda que com a pandemia da Covid e a experiência com o ensino remoto, professores e alunos se aproximaram das tecnologias voltadas para a educação. Batista e Sá (2019) informam que os professores foram levados a refletir seus métodos de ensino a partir dos grandes avanços tecnológicos. É necessário um olhar mais pautado no mundo globalizado em que vivemos, o ensino deve contemplar as mudanças que regem o mundo digital.
Nas palavras de Vieira (2018, p. 90):
O avanço tecnológico nos fornece vastas possibilidades. Poder transitar por diferentes plataformas de estudo nos oportuniza uma variedade de informações e conhecimentos que, por sua vez, demanda entender e dominar o seu funcionamento para um melhor direcionamento das atividades e exercícios em sala de aula.
De acordo com Castells (2001), a flexibilidade proporcionada pela tecnologia está disponível no espaço virtual e permite ser acessada por qualquer pessoa. A complexidade da coordenação de tarefas também pode ser observada nos conteúdos didáticos.
Oliveira et al. (2019) nos recordam que é preciso aprimorar o ensino numa perspectiva mais dinâmica e interativa. O professor precisa repensar o seu papel como mediador do ensino e aprendizagem, visto que, suas práticas devem ser construídas e reconstruídas num processo que envolve estudo, inclusão de ferramentas pedagógicas e recursos tecnológicos que sejam eficazes e promovam mais possibilidades para a produção do conhecimento.
Este trabalho está dividido em cinco seções. Na primeira, introduzimos a pesquisa apresentando alguns teóricos que tratam sobre o uso da tecnologia na sala de aula e que versem sobre o ensino de pronúncia. Prosseguimos detalhando os passos metodológicos adotados. Nas terceira e quarta seções, apresentamos e discutimos nossa análise e achados. Por fim, expomos nossas conclusões retomando o objetivo.
2. METODOLOGIA
A pesquisa qualitativa descreve e compreende as situações e os processos de maneira integral e profunda, considerando o contexto em que os sujeitos estão inseridos e a problemática estudada. Assim, estando associada a pesquisa de caráter descritivo, posto que esta procura analisar fatos e fenômenos, apresentando uma descrição desses fatos (Gil, 2008). Portanto, o presente estudo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa de cunho qualitativo e descritivo, pois descrevemos e analisamos o software ELSA Speak com foco nas possíveis atividades que promovam o ensino de pronúncia.
Desse modo, nosso corpus está composto pelas atividades das seções: Pronúncia e Tópicos de fala presentes no software ELSA Speak. O aplicativo foi selecionado por ser um dos mais conhecidos da internet e baixados de acordo com dados do Google Play. Dessa forma, dada a sua grande popularidade e por apresentar seções que enfatizem o ensino da oralidade, optamos por selecioná-lo.
Para situar o leitor a respeito do nosso objeto de pesquisa, segue uma breve descrição do que vem a ser o software ELSA Speak. A startup ELSA Corp. foi fundada em 2015 por Vu Van e Xavier Anguera. Sua equipe é composta por cientistas da área de processamento de fala e linguistas, eles são responsáveis pelos métodos, atividades, monitoramento, acompanhamento e demais funções utilizadas no software.
O ELSA Speak é um dos APPs de ensino de idiomas mais baixado das lojas de aplicativo. No qual os alunos podem estudar na sala de aula com o acompanhamento do professor que pode direcionar a atividade sempre que necessário, mas também pode realizar as atividades em casa. O progresso e o desempenho do aluno podem ser monitorados em tempo real por meio de um painel de organização.
Por prometer um programa de estudos personalizado, a apresentação inicial do painel do software requer que o aluno responda qual é a sua língua materna. Para Cypriano (2022), quando estamos aprendendo uma nova língua nosso cérebro costuma associar os sons já existentes e conhecidos na nossa língua materna com os novos. O conhecimento linguístico prévio tende a direcionar o som das novas palavras, o que pode causar interferências na aprendizagem.
O software está dividido, primeiramente, em quatro grandes seções, são elas: 1) Pronúncia; 2) Tópicos de fala; 3) Cursos com certificado; e 4) Aulas diárias rápidas. Cada tópico se subdivide dependendo da atividade abordada. Optamos, com base em nossos objetivos, centrar-nos nas seções pronúncia e tópicos de fala.
Para a análise, inicialmente, verificamos como estão compostas as atividades, seguindo alguns critérios:
a) Há atividades específicas para pronúncia?
b) Há atividades contextualizadas de pronúncia ou apenas mecanicistas?
c) De que maneira os elementos segmentais e suprassegmentais são trabalhados?
d) Há atividades que trabalhem com a percepção e a produção dos sons?
e) Qual variedade fônica é utilizada?
Após a verificação dos critérios mencionados, passamos para uma análise contrastando nossos achados com as pesquisas de alguns teóricos, tais como: Cantero (2003), Levis (2005), Barreto e Alves (2012), Sacchi (2018) e Mesquita Neto (2021), que tratam sobre os aspectos fonético-fonológicos, ensino comunicativo e ensino de pronúncia.
Salientamos que todas as atividades observadas e analisadas fazem referência à versão gratuita do software ELSA Speak, portanto, pode haver diferenças nas atividades propostas em outras versões do aplicativo.
Após apresentar o nosso passo metodológico, na próxima seção, discorremos, a seguir, a análise e os resultados encontrados.
3. RESULTADOS
Como apresentado na metodologia, fizemos um recorte do software e analisamos apenas as seções intituladas pronúncia e tópicos de fala. Iniciamos com a primeira seção, verificamos que está dividida em dois tópicos. No primeiro, há possibilidade de o usuário realizar uma autoavaliação (miniteste) com o intuito de verificar o seu nível de proficiência. O segundo questiona se o aluno deseja iniciar o programa de estudos. Aqui se supõe que o estudante já saiba o seu nível de proficiência.
Para os iniciantes que irão fazer o miniteste, o aplicativo se apresenta de forma escrita e oral e em seguida sugere uma resposta apenas escrita que o aluno deverá ler, ou seja, uma resposta à apresentação. As perguntas se tornam um pouco mais complexas e extensas, seu nível de dificuldade vai aumentando de forma gradativa, mas sempre com a sugestão de resposta. Todas as atividades são gravadas e o usuário pode reproduzi-las sempre que julgar necessário. Ainda conta com o feedback que consiste em marcar, nas palavras, os sons que não foram produzidos ou que foram realizados de forma equivocada.
À medida que as sentenças se prolongam e se tornam mais complexas, o software procura utilizar, nas perguntas, entonações, linking sounds, acentos e ritmos que apenas falantes com uma pronúncia desejável poderiam produzir. Dessa maneira, o ELSA Speak se aproxima e identifica os principais equívocos cometidos pelo estudante.
Com a finalização da primeira etapa de perguntas e respostas, o aplicativo calcula o total de acertos de pronúncia e que sons o aluno deve melhorar. Apresenta também a transcrição fonética de cada palavra e a sua avaliação inicial de pronúncia pode ser verificada pelas cores verde (excelente), vermelho (tentar novamente) e laranja (quase correto). No final, ainda se pode ouvir gravação das respostas que o aluno deu em comparação com as do aplicativo. Como mostrado na figura 1 abaixo:
De acordo com o miniteste, o aplicativo possui uma gama de palavras isoladas que devem ser pronunciadas e em seguida analisadas. Todas elas aparecem primeiramente escritas depois faladas. De acordo com Cantero (2003), ao iniciar a aprendizagem de uma língua não se deve optar por utilizar palavras isoladas. Estando fora de contexto, o exercício que poderia ser favorável a aprendizagem o torna ineficaz, não atendendo de forma abrangente ao propósito comunicativo. Além disso, Mesquita Neto (2021) menciona que não se deve trabalhar pronúncia atrelada a grafia.
Passando dessa fase, o aplicativo fornece uma palavra escrita e dois áudios abaixo, em que o aluno deve clicar naquele que acredita corresponder ao da palavra. Porém, são palavras de sons parcialmente distintos. Este exercício se diferencia do anterior por envolver um caráter fonológico e não apenas fonético, visto que se trabalha com pares mínimos, assim, exigindo, um certo grau de percepção. Na atividade aparece também a transcrição fonética da palavra, o que pode facilitar o entendimento de sons diferentes apesar de muito parecidos. Para Sacchi (2018), conhecer a correspondência dos símbolos fonéticos com a produção dos sons, bem como as funções acústico-articulatórias podem auxiliar o aprendiz a desenvolver a percepção e produção desses novos sons. A atividade, no entanto, não apresenta nenhuma referência quanto à forma como os sons são articulados, porém aparece em outras versões do aplicativo.
A seção Tópicos de fala, por sua vez, mostra vários ícones com textos de temas diferentes como viagens, família, amigos, trabalho, estudo, entre outros. Esta seção também possui uma conversação, fazendo correção de aspectos suprassegmentais, visto que verifica a entonação, a tonicidade da sílaba, o ritmo e os linking sounds.
Com respeito à variedade fônica utilizada, o aplicativo se detém, mais especificamente, ao inglês americano padrão. Levis (2005) apresenta que, durante muito tempo, o princípio da natividade rodeava as aulas de línguas estrangeiras, não obstante, com a evolução da abordagem comunicativa, a inteligibilidade passa a ser o objetivo central.
Como forma de não se restringir a uma só variedade fônica, na seção Tópicos de fala, além das perguntas e respostas há um ícone que mostra outras formas de pronunciar cada palavra, com outros sotaques, mas mantendo a entonação. Assim, nesse tópico, a avaliação da pronúncia é realizada baseada no inglês americano, contudo, o estudante pode verificar, contrastar e adquirir a pronúncia de cada palavra em outros sotaques.
Retomando as perguntas que nortearam essa análise, percebemos que há atividades voltadas para pronúncia, porém, na maioria dos casos, atividades descontextualizadas e limitadas ao processo mecânico de repetição. Enfatizamos e concordamos com Barreto e Alves (2012) quando dizem que o processo mecânico para o ensino de pronúncia deve existir, mas não como único recurso para tal prática.
As atividades referentes aos elementos segmentais podem ser encontradas nas seções Pronúncia e Tópicos de fala e são verificadas com base na correção fonética, na qual se pode observar se um fonema foi apagado, substituído, transposto ou mesmo adicionado. Já os suprassegmentais, por sua vez, são trabalhados com mais ênfase na seção Tópicos de fala, por meio de atividades que envolvem textos com temas específicos e contextualizados em que se objetiva compreender e exercitar a expressividade da voz, sua entonação, a duração da pronúncia de cada som, o ritmo e os acentos. Atividades de percepção também são contempladas no software, sendo elas trabalhadas no exercício de marcar as palavras escutadas em meio a duas opções.
A variedade fônica destacada é o inglês americano padrão, porém em algumas atividades é possível perceber que o software mostra outras formas de pronúncia. No entanto, sugerimos, a título de melhoria para o app, a inclusão de áudios de outros dialetos e, inclusive, de falantes não nativos pronunciando as palavras estudadas.
Por fim, é irrefutável o fato de que há vantagens na utilização do aplicativo com o foco no ensino de pronúncia, principalmente se o público for jovens que buscam por praticidade e interação rápida. Por este motivo, salientamos a importância de uma reflexão docente sobre a integração desse aplicativo em sala como suporte para o ensino de pronúncia. No entanto, ainda enfatizamos que é indispensável a presença e o acompanhamento por parte do docente ao longo do uso do aplicativo.
Na próxima seção, discutimos sobre o ensino de inglês atrelado ao uso de aplicativos, no entanto, com focos distintos do nosso. Para isso, tomamos como base autores como: Almeida (2021) e Esteves e Ribeiro (2019).
4. DISCUSSÕES
Muitos estudos apontam os aplicativos de dispositivos móveis como potenciais aliados na aprendizagem de línguas e destacam uma relevante aceitação por parte dos aprendizes. É importante destacar que cada estudo busca investigar um campo específico e o que chama atenção é a ênfase dada aos aplicativos de ensino de línguas e todas as suas funções. Muitas delas não se aplicam de forma eficaz como pontua o trabalho de Almeida (2021), que foca seu estudo nos erros de tradução. O estudo do referido autor procurou analisar os erros de tradução de exercícios de diálogo do aplicativo ELSA Speak, o qual foi possível perceber que grande parte dos erros apontados foram provocados por traduções literais. Este difere do nosso trabalho, visto que, propomos analisar as propostas de atividades de pronúncia do software mencionado.
O estudo de Passos e Almeida (2020) também se direciona à aprendizagem de língua inglesa. Este possui, assim como o nosso, a análise de exercícios de pronúncia baseados num teste prévio de fluência do participante fornecido pelo App.
Além destes, podemos apontar a pesquisa de Esteves e Ribeiro (2019) e Harres et al. (2020). Ambos avaliam aplicativos que possibilitam a aprendizagem de inglês. No entanto, o primeiro foca na verificação do design de interação para a aprendizagem móvel e o segundo descreve aplicativos que podem ser usados através do aparelho celular. Apesar destes trabalhos não focarem no ensino de pronúncia, por meio da descrição e análise realizadas, extraímos algumas informações. Segundo Esteves e Ribeiro (2019), após a análise dos app Aba English, Busuu, Enlish Live, Duolingo e Life Topway, o ensino de pronúncia está resumido a ler, ouvir e repetir palavras ou frases e, inclusive, sem feedback imediato para estas atividades. Para Harres et al. (2020), o aplicativo Memrise apresenta exercícios direcionados para a compreensão auditiva, mas são focados na prática do vocabulário e não na fala. Já o Duolingo, na sua última seção, o usuário é avaliado com base na sua pronúncia, visto que deve produzir o som diretamente com o aplicativo.
Com base nisso, retomamos o questionamento que impulsionou nossa pesquisa: Como o software ELSA Speak aborda o ensino de pronúncia? Tínhamos como hipótese básica que, como nos livros didáticos e outros aplicativos, o software foca no ensino de léxico e aborda a pronúncia de forma mecânica e com foco nos elementos segmentais
Assim, ao avaliar o aplicativo conseguimos identificar as fragilidades como é o caso das palavras fora de contexto em alguns exercícios, atividades quase sempre atreladas à escrita e pouca presença de variação. Não obstante, notamos que as atividades tentam integrar o estudo dos sons ao que se vem trabalhando ao longo da seção. Além disso, conseguimos identificar atividades que possibilitam a prática dos três passos para o ensino de pronúncia apresentado por Farias (2014) que são: percepção, reflexão e produção. Dessa forma, o app se propõe, não apenas a trabalhar com atividades auditivas, mas sim, focalizando o elemento sonoro, permitindo que o usuário pense sobre os contextos fonotáticos e, finaliza, fazendo com que os alunos produzam o som. Também traz a descrição fonética das palavras e realiza um trabalho, tanto com os elementos segmentais quanto suprassegmentais. Com isso, podemos afirmar que nossa hipótese inicial foi refutada.
Moura e Lopes (2021) explicam que o ELSA Speak, utilizado para o aprimoramento de pronúncia, é mais eficaz em níveis iniciais e com um acompanhamento docente para oferecer ao aprendiz orientação e feedback ao longo da implementação das práticas de pronúncia.
Podemos perceber o quanto os aplicativos na área do ensino de pronúncia e comunicação de inglês estão ganhando espaço, isso demonstra a importância dos estudos na área, assim como, também devemos evidenciar o estudo da pronúncia como um grande impulsionador do domínio do idioma. A seguir, apresentamos nossas conclusões.
5. CONCLUSÕES
O presente artigo teve como objetivo geral analisar a proposta de atividade de pronúncia do software ELSA Speak de língua inglesa. Já como objetivos específicos: a) descrever a tipologia das atividades de pronúncia propostas pelo software e; b) refletir sobre o ensino de pronúncia, com suporte tecnológico, nas aulas de língua inglesa. Para tanto, recorremos aos autores Moran (2000), Vieira (2018) que tratam da utilização das ferramentas tecnológicas e Farias (2014), Mesquita Neto (2021) e Cypriano (2022) sobre ensino de pronúncia.
Afirmamos que todos os objetivos foram alcançados, visto que descrevemos as atividades apresentadas nas seções pronúncia e tópicos de fala, verificando como elas se relacionam com o ensino de pronúncia (percepção, reflexão e produção). Além disso, ao trazermos a temática e discuti-la, ancorando-nos em diversos atores, permitimos que outros pesquisadores e docentes reflitam sobre a prática do ensino de pronúncia atrelada à tecnologia.
Como ferramenta pedagógica, consideramos que o software ELSA Speak pode ser utilizado na aprendizagem de pronúncia da Língua Inglesa. O aplicativo pode ser explorado por diversos públicos, isto é, por estudantes de idades variadas e níveis de proficiência diferentes.
É necessário reforçar que não analisamos o aplicativo na sua totalidade e que o ELSA Speak também dispõe de atividades que podem aprofundar o conhecimento linguístico da Língua Inglesa e que fornece exercícios com foco em aquisição de vocabulário e aspectos gramaticais, porém como o objetivo da nossa pesquisa se deteve à pronúncia, não nos aprofundamos nesses outros recursos.
O ELSA Speak, apesar de não trazer uma nomenclatura clara, propõe atividades estruturadas em níveis. À medida que o estudante vai evoluindo, seus exercícios, tornam-se mais desafiadores.
Contudo, a utilização do aplicativo não dispensa uma orientação do professor. Como já foi mencionado, o ELSA Speak pode ser utilizado em sala de aula ou em casa. O docente pode explicar as atividades e o propósito de cada uma delas, como também direcionar a que ele acredita ser mais eficiente diante da necessidade do aluno. Portanto, acreditamos que o uso do aplicativo para o aprimoramento da pronúncia da língua inglesa, sem a assistência e orientações do docente, não terá a mesma eficácia. Além disso, o acompanhamento, por parte de professor, faz-se necessário para a realização do feedback.
Concluímos, por meio da análise, que o software ELSA Speak, embora apresente fragilidades, possui um grande potencial para uso. A sua inclusão como recurso pedagógico pode auxiliar o aluno na aprendizagem da pronúncia da Língua Inglesa, contudo, requer um planejamento do professor a fim de utilizar o aplicativo como recurso complementar, para atividades realizadas em aulas presenciais ou remotas (síncronas ou assíncronas).
Por fim, esperamos que esta pesquisa permita a reflexão de outros docentes e pesquisadores sobre a inclusão de aplicativos e softwares nas aulas de língua inglesa de modo a permitir uma aproximação com a realidade do aluno, a interação e o ensino de pronúncia.
Resumo
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1. INTRODUÇÃO
2. METODOLOGIA
3. RESULTADOS
4. DISCUSSÕES
5. CONCLUSÕES